A tecnologia produzida no Rio Grande do Norte alcançou um novo patamar de relevância nacional. Pesquisadores e professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) apresentaram ao Ministério da Saúde (MS), na última sexta-feira (23), uma plataforma inédita projetada para revolucionar o gerenciamento da saúde de milhões de trabalhadores que compõem o Sistema Único de Saúde (SUS). O encontro em Brasília trouxe uma notícia decisiva para o futuro do projeto: a solução foi oficialmente contemplada no Plano Diretor de Tecnologia da Informação e Comunicação (PDTIC) do Ministério.
Essa inclusão burocrática tem um peso prático gigantesco. Segundo o professor Edvaldo Carvalho, coordenador da iniciativa, estar no PDTIC significa que o sistema saiu do campo das ideias e entrou na “esteira de implantação” do Governo Federal. “Qualquer recurso destinado a essa área no Ministério da Saúde prioriza estritamente o que está previsto nesse plano — o que não consta nele não chega a ser discutido ou executado”, explicou o docente. Agora, o projeto aguarda apenas a liberação do financiamento para que a tecnologia seja escalada e levada a todo o território nacional.
Desenvolvido nos laboratórios do Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN), o sistema já havia sido destaque no último mês durante um seminário nacional na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Com a validação do Ministério, o próximo passo da equipe potiguar é apresentar a proposta orçamentária detalhada. Uma vez aprovada, terá início o desenvolvimento da versão operacional final da plataforma.
A inovação proposta pela UFRN resolve um gargalo histórico. Atualmente, o Brasil não possui um sistema unificado para cuidar de quem cuida. O gerenciamento da saúde e segurança dos trabalhadores do SUS ocorre de forma fragmentada, descentralizada e sem padronização, variando de município para município. Isso impede que o Governo Federal tenha uma visão clara dos riscos e doenças que afetam sua força de trabalho.
A nova tecnologia muda esse cenário ao permitir o acompanhamento sistemático de todos os colaboradores, sem distinção hierárquica — abrangendo desde médicos cirurgiões e enfermeiros até assistentes administrativos e auxiliares de serviços gerais. “Com essa tecnologia, o Ministério terá a possibilidade de reunir todas as informações voltadas para a saúde e segurança do trabalhador do SUS em um único local. Isso permitirá consolidar dados de atestados, vacinação, licenças médicas e readaptações, criando um banco de dados robusto para que o governo possa construir políticas públicas de valorização e cuidado real com o profissional”, detalha o professor Carvalho.