Petróleo e dólar sobem após ataques militares no Irã; entenda os impactos econômicos

A escalada de tensões no Oriente Médio, marcada por ofensivas militares dos EUA e de Israel contra o Irã, provocou uma disparada nos preços do petróleo e a valorização do dólar nesta segunda-feira (2). O possível fechamento logístico do Estreito de Ormuz e a morte de lideranças iranianas geram incertezas que podem afetar a inflação e a política monetária no Brasil.
Foto: REUTERS/Dado Ruvic

O mercado financeiro global reagiu com forte volatilidade nesta segunda-feira (2), o primeiro dia útil após a ofensiva militar coordenada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. O conflito resultou na morte de centenas de pessoas, incluindo o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei. Como consequência imediata, o preço do petróleo disparou nas bolsas de Londres e Nova York, enquanto o dólar interrompeu uma sequência de quedas para se valorizar frente ao real.

Por volta do meio-dia, o contrato futuro do petróleo tipo Brent, referência internacional da matéria-prima, operava com alta de 7,6%, sendo negociado próximo a US$ 79 o barril. Já o WIT, negociado em Nova York, registrou um salto de 6%, cotado acima de US$ 71. No cenário doméstico, as ações da Petrobras (PETR4) acompanharam a tendência de valorização da commodity, registrando alta de 3,90% na B3.

A principal preocupação dos analistas recai sobre o Estreito de Ormuz, uma passagem marítima vital situada ao sul do Irã. Por essa rota circula aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo e gás. Segundo especialistas, a interrupção do tráfego no local é o principal gatilho para a explosão dos preços.

Embora a Opep+ tenha anunciado o aumento da produção para garantir a oferta, o gargalo logístico permanece como o maior desafio. A interrupção do fluxo de navios pode desestabilizar cadeias produtivas globais. Mesmo sendo um grande produtor, o Brasil pode ser impactado pela alta dos derivados de petróleo importados, que chegariam ao mercado interno mais caros.

O cenário de guerra prolongada traz riscos inflacionários e pode alterar o ritmo de redução da taxa Selic. Oliveira aponta que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central pode adotar uma postura mais cautelosa em março, possivelmente reduzindo os juros em 0,25 ponto percentual, em vez dos 0,50 previstos anteriormente. Simultaneamente, o dólar operou em alta, refletindo um movimento de “fuga para o risco”, no qual investidores retiram recursos de países emergentes para buscar proteção em moedas mais estáveis.

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