O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) ofereceu denúncia formal contra 16 pessoas suspeitas de operar um complexo esquema de fraudes financeiras. A acusação é um desdobramento da Operação Amicis, deflagrada pela Polícia Civil, e aponta um prejuízo consolidado de mais de R$ 3,8 milhões a instituições bancárias e administradoras de consórcios.
Segundo o MPRN, a organização criminosa atuava sistematicamente com crimes de estelionato e falsidade ideológica. O núcleo central do grupo é alvo de dezenas de imputações individuais, incluindo 65 casos de falsidade ideológica e 17 de estelionato, além da acusação por associação criminosa. Entre as vítimas estão grandes bancos como Banco do Brasil, Bradesco e Banco do Nordeste.
A investigação detalha que o grupo criava empresas de fachada em nome de terceiros e utilizava endereços fictícios para obter créditos de alto valor. Com esses recursos, os suspeitos financiavam veículos de luxo e frotas de grande porte, interrompendo os pagamentos logo após a posse dos bens. Para dar suporte técnico à fraude, um contador teria forjado faturamentos elevados e documentos societários em 42 ocasiões distintas.
O esquema também contava com a participação de “laranjas” — pessoas de baixa renda que cediam seus dados em troca de promessas de recompensa. De acordo com a denúncia, o grupo mantinha um “rodízio de CNPJs”: sempre que uma empresa se tornava alvo de suspeitas ou acumulava dívidas, uma nova pessoa jurídica era ativada para garantir a continuidade do fluxo financeiro ilícito.
Devido à complexidade do caso, o Ministério Público solicitou à Justiça o desmembramento do processo em quatro ações penais independentes. Além das condenações, o órgão busca o confisco de bens e valores para assegurar o ressarcimento das instituições lesadas. Dois dos denunciados também respondem por comunicação falsa de crime, após tentarem alegar uso indevido de seus dados para despistar as investigações.