O governo brasileiro decidiu manter o pé no acelerador para a concretização do acordo Mercosul-UE. Mesmo após o Parlamento Europeu aprovar nesta quarta (21), por 334 votos a 324, um pedido de análise jurídica que pode paralisar a validação final do tratado por cerca de dois anos, o vice-presidente Geraldo Alckmin confirmou que o texto será enviado ao Congresso Nacional nos próximos dias para internalização.
A estratégia do Planalto é clara: fazer o dever de casa interno e buscar uma “vigência transitória”. Para isso, o Brasil conta com o apoio de pesos-pesados do bloco, como o chanceler alemão Friedrich Merz, que defende a aplicação provisória dos termos comerciais enquanto o Tribunal de Justiça da UE não emite o parecer definitivo. “Houve um percalço, mas vamos superá-lo. O Brasil não vai parar”, afirmou Alckmin.
Paralelamente, a ApexBrasil, presidida por Jorge Viana, anunciou uma campanha de imagem na Europa para combater o que chamou de “disputa de narrativa” e lobby protecionista contra produtos brasileiros. Segundo a agência, o acordo tem potencial para injetar US$ 7 bilhões nas exportações nacionais, beneficiando setores de alta tecnologia, como aviação e maquinário.