Presidente do Sindspen-RN alerta para o sucateamento e a falta de comando técnico no sistema prisional potiguar

Em entrevista contundente ao Jornal da Mix, a líder sindical denunciou a perda do controle estatal nas unidades, perseguições internas, sucateamento da frota e a tentativa de mudança unilateral do brasão da categoria.
Vilma Batista, presidente do Sindspen-RN, denuncia o 'modo avião' na gestão do sistema penitenciário potiguar.
Foto: Reprodução/YouTube

A estabilidade do sistema prisional do Rio Grande do Norte, duramente conquistada após a crise histórica de 2017, está sob grave ameaça. O alerta foi feito por Vilma Batista, presidente do Sindicato dos Policiais Penais (Sindspen-RN), em entrevista ao programa “Jornal da Mix”. Com 24 anos de experiência no setor, a líder sindical afirmou que a categoria vive um momento inédito de retrocesso, lutando não por novas conquistas, mas para preservar a ordem e a dignidade do trabalho.

Vilma utilizou a metáfora do “modo avião” para descrever a atual gestão da Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP). Segundo ela, o governo estadual abandonou o diálogo técnico em favor de uma administração ideológica e autoritária. A sindicalista denunciou uma inversão de valores, onde o Estado priorizaria benefícios aos detentos em detrimento da segurança e das condições de trabalho dos policiais.

Uma das revelações mais graves da entrevista diz respeito à segurança interna das unidades. Vilma levantou suspeitas sobre os registros de óbitos no sistema: “O preso é convencido a se matar porque, se não o fizer, a morte dele e da família será pior”, afirmou, sugerindo que execuções ordenadas por facções criminosas estariam sendo mascaradas como suicídios forçados.

O sucateamento da estrutura operacional também foi alvo de críticas severas. Enquanto o governo investe em marketing institucional e na compra de veículos para o setor administrativo, os policiais penais enfrentam frotas de escolta com pneus carecas e a falta de itens básicos, como papel ofício e água potável, muitas vezes custeados pelos próprios servidores. Vilma ainda classificou como uma “estranheza” o gasto milionário em câmeras corporais — uma demanda que, segundo ela, atende aos interesses das facções — enquanto coletes à prova de balas seguem com prazos de validade vencidos.

A mudança unilateral da identidade funcional da categoria também gerou indignação. A SEAP teria investido R$ 200 mil em um estudo para alterar o brasão da Polícia Penal, removendo a bandeira do Rio Grande do Norte e substituindo-a pela imagem do Forte dos Reis Magos. “Não aceitamos que mudem nossa história unilateralmente. Tiraram o símbolo do Estado do nosso peito sem ouvir a categoria”, desabafou a presidente.

Por fim, Vilma alertou para o déficit de pessoal e o impacto do projeto nacional “Pena Justa”, que pode resultar na soltura de 2.500 presos no estado devido à superlotação. Para o Sindspen, a solução passa obrigatoriamente por uma gestão técnica. A categoria exige que o comando da SEAP seja ocupado por um policial penal de carreira, visando interromper o que chamam de indicações políticas que desconstroem a segurança pública potiguar.

Confira a entrevista completa no YouTube da Mix FM Natal:

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