Com 26 anos de experiência na Polícia Militar do Rio Grande do Norte, o Sargento Manassés apresentou nesta quinta-feira (26) um diagnóstico realista e preocupante sobre a segurança pública estadual durante entrevista ao Jornal da Mix. Ingressando na corporação no ano 2000, o policial confrontou dados oficiais do governo ao descrever o sentimento de insegurança que permeia a população e a estrutura atual do crime.
Segundo o sargento, diversas comunidades de Natal vivem sob o domínio de facções criminosas que importaram táticas do Rio de Janeiro, incluindo sistemas de inteligência para monitorar quem entra e sai das áreas. Manassés revelou o impacto pessoal dessa realidade: criado no bairro de Mãe Luíza, ele enfrenta restrições das facções até para visitar familiares. ‘Minha própria mãe precisou me ignorar na rua para não sofrer retaliações. O crime hoje tem um sistema de dados para levantar o histórico de qualquer pessoa’, desabafou.
Ao longo de sua trajetória, o sargento vivenciou contrastes marcantes. Ele relembrou com orgulho o caso de um amigo de infância que, após ser preso por ele e aconselhado a mudar de vida, hoje atua como chefe de cozinha em Portugal. Em contrapartida, citou a morte do Cabo Emerson, seu colega de turma assassinado em Candelária, como o momento mais doloroso de sua carreira, reforçando que a perda de um ‘irmão de farda’ é o pior cenário para um policial.
Embora reconheça a evolução nos equipamentos — comparando o armamento atual com o início da carreira, quando policiais operavam com munição extremamente limitada —, Manassés enfatizou que a tecnologia não resolve o problema sem autonomia. Ele denunciou que a política interfere diretamente na segurança pública, com criminosos pressionando moradores para que estes intimidem políticos a frearem operações policiais. Além disso, criticou a prática de transferir policiais que apresentam resultados eficientes em suas áreas.
Como solução para a crise, o sargento defende a implementação da carreira única na PM, melhores salários e, fundamentalmente, liberdade legal para o combate ao crime. ‘O verdadeiro especialista em segurança pública é o policial de rádio patrulha, aquele que está na rua. Hoje, falta respaldo jurídico para que a polícia possa agir com a energia necessária’, concluiu.
Confira a entrevista completa no YouTube da Mix FM Natal: